Bem-vindos ao incrível mundo de A.L.A aonde a única obrigação é nunca deixares de sonhar.

Personagem 9 – O ávido

A personagem 9 é o fim e o início. É tudo e é nada. É o passo para a próxima fase e quiçá, se tudo correr bem, para um próximo livro.

  1. A angústia do amor
    Desde o início, há nele um ímpeto irreprimível para sonhar — sonhar com o amor, com a beleza perfeita, com uma entrega absoluta. Mas esse sonho, em vez de o elevar, torna-se uma maldição disfarçada de esperança. Ele sonha demasiado alto, e quando cai, não é apenas a dor do amor que o dilacera — é a quebra de um ideal.
    Contudo, é nessa queda que algo se semeia: a consciência de que o amor não se encontra nas alturas dos sonhos, mas na terra firme da realidade, com imperfeições e tropeços. E é então que, ferido mas mais lúcido, encontra a rapariga que lhe mostra o amor verdadeiro, ou talvez apenas possível. No final, quando a escreve, é já o homem que, ainda a sangrar, escolhe amar.
  2. “A realidade por detrás do sonho”
    Ele volta a sonhar — talvez com outra, ou com a mesma vestida de futuro. Está perto de alcançar esse sonho. Mas mais uma vez, a realidade desfaz-lhe a ilusão, como se o destino lhe dissesse que a vida não é feita para quem sonha com finais perfeitos. É traído. E não apenas pela pessoa — mas pela própria expectativa que criou.
    Contudo, algo muda aqui: desta vez, ele não quebra completamente. No vazio que fica, cresce uma paixão nova: a escrita, a única forma de continuar a sonhar, mesmo quando tudo o resto falha.
  3. “O raio das flores”
    Este é o grito. A explosão. A revolta contra o destino, contra si mesmo. Contra o facto de não conseguir ser feliz por ser quem é — um idealista, um romântico incurável. Aqui ele reconhece que carrega um fado: cada flor que lhe cresce no peito, vem com um raio escondido.
    Mas talvez, pela primeira vez, abraça essa dor como parte da sua natureza. Porque se deixar de sonhar, então deixa também de sentir.
  4. “Perdi para o medo”
    Num momento de fragilidade, ele escreve como quem confessa: teve medo e perdeu. Medo de amar, de falhar, de voltar a cair. E perdeu.
    Mas há um milagre neste desabafo: ao reconhecer a perda, encontra a liberdade de recomeçar. De amar sem a ânsia de perfeição. De escrever não para salvar o passado, mas para honrar a sua travessia. O medo venceu um dia, mas não levou tudo. Porque a paixão pela escrita, e talvez a tal rapariga, ainda o aguardam do outro lado do medo.
  5. “Os dias cinzentos do fim
    Anos depois, ele vive em paz. Já não há dor aguda, nem desespero, nem sonhos desfeitos. Mas também não há mais vertigem. Apenas a paisagem cinzenta e silenciosa de quem sobreviveu a tudo.
    É o fim da sua história — não um final amargo, mas sereno. Porque agora sabe que o sonho, o amor, a dor, o medo, foram todos degraus de uma mesma escada.
    E quando olha para trás, não vê um fracasso, mas um caminho pleno de significados.
    Subtilmente, sem o saber ainda, está pronto para a próxima encarnação, aquela que talvez se desenrole na lua, depois do fim do mundo.
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