Descobre aqui todos os contos, desabafos e poemas da personagem 1, encarnação da criança no Tempo do escritor português ALA.
Esta encarnação da entidade de “Contos e Desabafos da Criança no Tempo”, apelidada de “O sonhador” retrata a inocência, intensidade e mágoa das primeiras paixões e reflete sobre como os mesmas, por serem sentidos pela primeira vez, demoram uma aparente eternidade a ser curadas. Porém, quando ultrapassadas, permitem-nos vivenciar o genuíno amor.
- “Não eras tu a minha fantasia”
O narrador projeta no outro a imagem perfeita do amor. Tudo é expectativa e euforia inicial. - “A felicidade e o êxtase”
A relação atinge o seu ápice: encontros mágicos, cumplicidade total, a crença na eternidade desse sentimento. - “A Dúvida”
Logo após o clímax, nasce a insegurança: a intensidade gera o medo de que tudo seja apenas uma ilusão. - “O Fim”
Aquele medo aprofunda‑se até à ruptura definitiva. O silêncio sucede‑se às últimas palavras partilhadas. - “Ainda se lembrava”
O protagonista volta a reviver pequenos detalhes — risos, carícias— que o confortam e o magoam ao mesmo tempo. - “Saudades dos tempos que nunca foram”
Não chora apenas o passado, mas o futuro imaginado que nunca chegou a existir: casa, filhos, velhice partilhada. - “Numa esplanada a tentar apanhar o sol”
Aqui começa a cura: já não está dominado pela dor nem pela alegria — encontra‑se num estado de marasmo. O sol aquece-lhe a pele, mas não ilumina totalmente o seu coração. - “As palavras que não te devia ter dito”
Quando julga não poder amar de novo, uma nova pessoa surge. As memórias dos “nãos” e dos “foras” passados ensinam‑lhe a escolher outras palavras — e, pela primeira vez, reabre-se à esperança de um amor diferente e menos idealizado. - “O poeta moribundo”
Passados muitos anos, com família e filhos, o narrador prepara‑se para a jornada final. Já conheceu o amor ideal e o amor maduro; aprendeu com as feridas e com as segundas chances. Agora, enquanto a sua voz poética se apaga, ele parte em paz, sabendo que viveu plenamente – tanto nas fantasias iniciais como nos gestos concretos que vieram depois.
