Bem-vindos ao incrível mundo de A.L.A aonde a única obrigação é nunca deixares de sonhar.

Personagem 8- ALA: Lidar com a própria dor

ALA palavras soltas
  1. “O quanto te odiei”Tudo começa com a dor crua do primeiro adeus, o do tio que me ensinou a andar de bicicleta. Quando ele partiu sem aviso, senti‑lhe o sorriso arrancado do peito e, por um instante, odiei‑o por me ter deixado órfão de tanta memória viva. Esta fúria foi a primeira manifestação do luto: odiei o silêncio que se fez na casa, odiei não ter tido tempo de guardar o último abraço, e odiei a urgência impiedosa que o levou antes de eu estar pronto.
  2. “Foste tudo sem saberes que o eras”
    Logo a seguir, a perda da avó materna trouxe culpa misturada com admiração tardia. Só depois de ela partir é que compreendi o quão “tudo” ela havia sido: quem acordava a família com o cheiro do pão quente, quem bordava memórias em lençóis brancos, quem tinha nas mãos a cura de todas as pequenas mágoas. A grandeza dela estava na simplicidade dos gestos – e só a partir da sua ausência se revelou o alcance do seu amor.
  3. “Quis saber quem sou”
    No leito de morte do avô paterno, já em coma mas ainda presente no quarto, escrevi estas linhas. Era o seu último dia, e este texto foi o meu gesto de reparação — a forma de devolver-lhe o reconhecimento que ainda lhe devia e, ao mesmo tempo, compensar o amor que só soube dar tarde demais à avó. A cada palavra, fundi o legado dele com as memórias dela, procurando em mim a síntese dessa herança: paciência, ternura e resiliência.
  4. “Na tua terra foste tudo sem saber que o eras”
    Finalmente, regresso ao lugar de raízes — a aldeia onde avô e avó viveram — para homenagear essa constelação familiar. Cada pedra no caminho lembra‑me quem foram e o que me deram sem cobrar. Eles moram no meu coração como guardiães silenciosos: aceito o destino que os chamou, mas sinto uma saudade profunda e eterna, desejando por um instante tê‑los de volta, mesmo que apenas em sonho.
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